Enquanto a direção do PT em Porto Alegre defende que o partido tenha candidatura própria na eleição para a prefeitura em 2012, um grupo de vereadores da Capital diz que a prioridade deve ser a manutenção da aliança que alçou o petista Tarso Genro ao Palácio Piratini O bloco, batizado de Unidade Popular, reúne PT, PSB, PCdoB, PR e PPL. Após a vitória no primeiro turno, Tarso também atraiu para sua base o PDT, o PTB e o PRB.
Ontem, os vereadores petistas Carlos Todeschini, Carlos Comassetto, Maria Celeste e Mauro Pinheiro entregaram ao governador uma carta pregando que a prioridade no pleito do ano que vem deve ser a costura de um acordo para garantir a reprodução da Unidade Popular em Porto Alegre.
O problema é que o PCdoB está determinado em lançar a candidatura da deputada federal Manuela d’Ávila na disputa pelo paço municipal. E as principais lideranças do PSB não escondem que apoiarão a comunista. Neste cenário, a postura dos vereadores petistas demonstra que o PT da Capital não está coeso em torno da tese de que a sigla deverá ocupar a cabeça de chapa no processo eleitoral de 2012.
O presidente do partido em Porto Alegre, vereador Adeli Sell, compareceu à reunião de ontem com Tarso, mas não endossa a carta entregue por seus colegas. Até agora, ele é o único nome oficialmente inscrito como pré-candidato do PT à prefeitura da Capital.
No mês passado, Adeli comandou um ato político com lideranças petistas na cidade pela defesa da candidatura própria do partido em Porto Alegre. O evento contou com a presença do ex-governador Olívio Dutra e do presidente do PT gaúcho, deputado estadual Raul Pont - que, recentemente, manifestou desejo de disputar o paço municipal no ano que vem. Apesar do movimento de seus colegas parlamentares, Adeli nega que haja um grupo no PT que defenda a possibilidade de o partido não ser cabeça de chapa na eleição de 2012.
“O documento não é explícito sobre isso, apenas reafirma de uma forma mais sublinhada a necessidade de se continuar os debates com os aliados”, minimiza. A vereadora Maria Celeste entende que o partido não pode se isolar na disputa pela prefeitura da Capital. “A ideia é não levar o PT de Porto Alegre ao isolamento e à ruptura com os aliados da Unidade Popular”, resume. O vereador Carlos Todeschini considera que a questão da candidatura própria ainda não está na pauta da legenda. “O que está em discussão é fortalecermos o bloco que deu sustentação à vitória em nível estadual”, observa.
O governador Tarso Genro adota uma postura diplomática para não melindrar a relação com sua base aliada e com o seu próprio partido. Ele diz que o PT precisa “produzir um processo político de negociação” sem abrir mão de apresentar nomes para as outras siglas.
“O partido que dirige o governo do Estado e o governo federal não pode entrar numa negociação sem ter nomes. Mas não podemos ter como ponto de partida a obrigatoriedade de ser o nosso nome”, opina Tarso.
Os vereadores também se reuniram com o presidente da Assembleia Legislativa, Adão Villaverde (PT), e buscam o apoio de deputados estaduais do partido. Além de Adeli e de Pont, outros nomes petistas que cogitam concorrer ao paço municipal são a presidente da Câmara Municipal, Sofia Cavedon, a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e o deputado federal Henrique Fontana. (Fonte: Jornal do Comércio)
Publicado no Jornal do Comércio, dia 25.08.2011.



